Cearês - Linguagem informal, típica do estado do Ceará!



Cearês (RBS Editora, 2005), do Marcus Gadelha - divertida lista de termos e expressões populares do Ceará.

Conseguiram traduzir a história do post anterior?

“Chico, cabra errado e bonequeiro, já melado depois de traçar um burrinho e duas meiotas, vinha penso, cambaleando, arrodiando o pé de pau, quando deu um trupicão que arrancou o chaboque do dedo.
- Diabeísso!
- Vai c* de cana! Mangou a mundiça que estava perto.
- Aí dento! – disse Chico
Chico tava arriado desde ontonti, quando o gato-réi que ele acunhava lá na baxa da égua, bateu fofo com ele pra ir engabelar um galalau estribado da Aldeota.
- É o que dá pelejar com canelau, catiroba, fuleragem, - pensava ele – ganhei um chapéu de touro, mas não tem Zé não, aquela marmota tá mesmo só o buraco e a catinga. Dá é gastura.
Chegando em casa se empriquitou de vez e rebolou no mato todas as catrevage da letreca: uma alpercata, um gigolete amarelo queimado e uns pé de planta que ela tinha trazido enquanto iam se amancebar. Depois se empazinou de sarrabui e panelada e foi dormir pensando nas comédias".

Não?
A tradução é mais ou menos assim, segundo o dicionário Cearês ( http://dicionarioceares.vilabol.uol.com.br/ca.html )

"Chico, sujeito arruaceiro e que gostava de aprontar, bêbado depois de beber uma garrafa de coca-cola cheia de cachaça e meia garrafa de cachaça, vinha torto, cambaleando, dando voltas na árvore, deu um tropeção que arrancou um pedaço do dedo (machucou o dedo).
- Que diabo é isso! (expressão de espanto)
- Vai cachaceiro! Zombou o pessoal que estava perto.
-Aí dentro (resposta a qualquer provocação) – disse Chico.
Chico tava desorientado desde antes de ontem quando a prostituta que ele tava vivendo não cumpriu o compromisso que assumiu com ele pra enganar um cara cheio da grana da Aldeota (aldeota, segundo o dicionário cearês = é seguramente o maior bairro informal do Pais. Os especuladores imobiliários passaram a chamar de Aldeota todo bairro novo [para o cearense é o bairro rico]).
-É o que dá se envolver com gente pobre, gentinha – pensava ele – ganhei um chifre, mas não tem nada, aquela lá tá é acabada, nem vale a pena. Dá até mal estar!
Chegando em casa p. da vida, jogou fora as tralhas daquela cafona: uma sandália, um diadema coral umas plantas que ela tinha trazido quando eles se juntaram. Depois comeu muito sarapatéu (comida feita com sangue coalhado, fígado, rins e vísceras de porco, carneiro ou boi) e panelada (prato feito com tripa e bucho de boi) e foi dormir pensando num programa divertido".

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